O número de empresas com empregados registrados na Argentina diminuiu em 31.342 entre novembro de 2023 e junho de 2026, uma queda de 6,1%, segundo o centro de pesquisas Fundar. No mesmo intervalo, o país perdeu 245.664 empregos privados registrados, conforme levantamento do Centro de Economia Política Argentina (CEPA).

Os dois indicadores medem dimensões diferentes do mercado de trabalho: um acompanha o total de empregadores; o outro, os postos formais no setor privado. As quedas não devem ser somadas nem tomadas como uma contagem de pessoas desempregadas.

O que entra na conta das empresas

A Fundar utiliza registros da Superintendência de Riscos do Trabalho e considera empresas públicas e privadas com ao menos um empregado formal, excluindo o emprego doméstico. O levantamento compara o estoque de empregadores em duas datas; por isso, a redução líquida não equivale ao total de encerramentos ocorridos no período.

Novembro de 2023 é a base anterior à posse de Javier Milei. Desde esse mês, 14 dos 18 setores analisados perderam empresas, e Neuquén foi a única das 24 jurisdições provinciais a registrar aumento. O monitor mais recente foi divulgado em 16 de setembro.

Emprego e produção industrial

O CEPA calcula retração de 3,9% no emprego privado registrado até junho de 2026. Paralelamente, contabiliza 169.026 novas inscrições no monotributo, regime simplificado argentino. O crescimento dessa modalidade não elimina a queda observada no emprego assalariado formal.

Na pesquisa domiciliar do Indec, o desemprego atingiu 7,9% no segundo trimestre de 2026, ante 7,6% no mesmo trimestre de 2025. A taxa se refere aos 31 aglomerados urbanos pesquisados e usa a população economicamente ativa como referência.

Outro relatório do instituto registra queda de 2,6% na produção industrial acumulada de janeiro a julho de 2026, em comparação com igual intervalo de 2025. Esse resultado corresponde a sete meses, não ao acumulado de 12 meses. Somente em julho, o recuo foi de 4,9% em relação a julho do ano anterior.

A Agência Brasil relata que Milei defendeu o desempenho econômico em discurso no fim de agosto, citando exportações, consumo e redução da inflação. A avaliação do governo contrasta com a retração de empresas e empregos formais documentada nos levantamentos.

Atualizado em 23 de setembro de 2026, com conferência dos períodos e da metodologia nos relatórios originais.

Fontes consultadas

Com informações de Agência Brasil — Lucas Pordeus León, Fundar — Guido Zack, Nicolás Sidicaro e Daniel Schteingart, CEPA — mercado de trabalho no segundo trimestre e dos relatórios do Indec sobre emprego e desemprego e produção industrial de julho. Consulta em 23 de setembro de 2026.

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